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A CPFL nasceu da fusão de quatro pequenas empresas municipais eletricidade no início do século 20 e hoje distribui energia elétrica para 234 cidades paulistas, o que representa 1/3 do Estado de São Paulo com seus 645 municípios. Ao todo, a concessionária contabiliza até o final de 1998, mais de 2,5 milhões de clientes distribuídos em cidades da grandeza de Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, Piracicaba, Araraquara, São José do Rio Preto, Franca, Marília, Americana, Araçatuba, São Carlos, Barretos, Lins, Sumaré, Botucatu, Jaboticabal, Mirassol, Valinhos, Paulínia, Santa Bárbara D' Oeste, Itapira, Jaú, São Joaquim da Barra e Matão entre outras.

A CPFL é hoje a quarta empresa distribuidora de eletricidade do Brasil, e o total de energia que fornece representa cerca de 6% do mercado brasileiro e 18% do mercado paulista. Em São Paulo, a CPFL ocupa a segunda posição entre as concessionárias distribuidoras de eletricidade. A população que atende – perto de 8 milhões de habitantes – corresponde a um país do porte da Áustria e sua área de atuação com mais de 90 mil Km2 representa o tamanho de duas Dinamarcas.

Fusão
Fundada dia 16 de novembro de 1912, na cidade de São Paulo, a CPFL começou a atuar em uma sede provisória no Largo do Tesouro n.º 5, com apenas uma sala, a de número 38. O capital inicial utilizado para a formação da empresa era de 2 mil contos de réis, divididos em 10 mil ações de duzentos mil réis cada.

Na verdade a CPFL foi formada a partir da fusão de quatro pequenas empresas de eletricidade que atuavam no interior paulista

• Empresa Força e Luz de Botucatu (Botucatu)
• Força e Luz de Agudos/Pederneiras (Agudos e Pederneiras)
• Força e Luz São Manoel (São Manoel)
• Companhia Elétrica do Oeste de São Paulo (Dois Córregos)

Estas quatro empresas foram extintas alguns anos após a incorporação definitiva pela CPFL. Os primeiros anos da CPFL se confundem com a trajetória de empreendedores paulistas como Manfredo Antônio da Costa, José Balbino de Siqueira, Joaquim Mário de Souza Meirelles e Francisco Machado de Campos, os verdadeiros fundadores da empresa, que iniciaram a incrível tarefa de tornar realidade a iluminação das ruas, casas e a movimentação de motores com a eletricidade gerada nas usinas hidrelétricas. Por causa disto, o aparecimento das empresas geradoras de energia elétrica no interior paulista permitiu um processo acelerado de desenvolvimento em São Paulo, sem paralelo em outros estados brasileiros.

O apetite incorporador da CPFL em seus primeiros anos de vida possibilitou a encampação de empresas em Bauru, Ribeirão Preto, Araraquara, Piracicaba, Pirajuí e São José do Rio Preto, entre outras.

Os Americanos
Em 1927 o controle acionário da CPFL passou a para as mãos da AMFORP - American & Foreign Power Company. Comoperações em Cuba, Guatemala e Panamá, a American & Foreign Power Company, Inc. - AMFORP (subsidiária da Electric Bond & Share Corporation (Ebasco), pertencente à General Eletric) começou suas atividades em 1923.

          

Doze anos mais tarde, a AMFORP já possuía negócios em 11 países da América Latina e China, com um patrimônio avaliado em meio bilhão de dólares.

Em 1925, a General Eletric retira-se oficialmente da produção de energia elétrica, distribuindo suas ações da Eletric Bond & Share Corporation entre seus acionistas, desvinculando também a subsidiária AMFORP que dois anos depois chegaria às terras paulistas para garantir o controle acionário da CPFL.

Sob a orientação da AMFORP, foi constituída em 22 de setembro de 1927 a Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras, com o objetivo de articular um sólido arcabouço legal para dar início às suas operações no Brasil. Dentro desta concepção, dia 19 de outubro deste mesmo ano, uma Assembléia Geral transferiu o controle acionário da CPFL para a AMFORP, através da Companhia Auxiliar, com a renúncia dos diretores brasileiros. A estratégia de gestão era simples.

Feita a incorporação, a AMFORP mantinha a identidade própria de cada empresa adquirida.

Além da CPFL, a AMFORP garantiu o controle acionário das seguintes empresas:

• Pernambuco Tramways & Power Co. Ltd. Recife
• Companhia de Energia Elétrica Rio-Grandense Porto Alegre
• Cia. Energia Elétrica da Bahia - Salvador
• Cia. Força e Luz de Minas Gerais Belo Horizonte
• Cia. Brasileira de Energia Elétrica Niterói
• Cia. Força e Luz do Paraná Curitiba
• Cia. Linha Circular de Carris da Bahia Salvador
• Cia. Força e Luz do Nordeste do Brasil Maceió e Natal
• Cia. Central Brasileira de Força Elétrica Vitória
• The Rio-Grandense Light & Power Syndicate Pelotas
• Telephone Company of Pernambuco Limited Recife

Em sua grande maioria, estas empresas eram propriedade de particulares, com sérios problemas financeiros e técnicos, criando uma série de dificuldades de coordenação. A situação chegava a ser caótica, pois todo o vasto conjunto adquirido era composto de pequenos e pouco eficientes sistemas de força motriz, com fantásticas variações de voltagem e freqüência, ligados a uma antiquada rede de energia elétrica.

Só no interior paulista, esta rede ou "pool" energético, cobria uma área superior a toda a rede da Inglaterra.

Todas as unidades geradoras juntas da CPFL não atingiam a 50.000 kW e os primeiros esforços norte-americanos foram as obras da usina hidrelétrica de Marimbondo. Adquirida do pioneiro Armando de Salles Oliveira, Marimbondo entrou em funcionamento pleno em 1929 e se constituiu na principal usina da região, com 7.952 kW, distribuídos em dois geradores, e localizada no Rio Grande, próxima à cidade de Icém.

Lentamente, os norte-americanos tratavam de homogeneizar a estrutura administrativa técnica de suas propriedades no interior paulista, fazendo com que a CPFL e suas companhia associadas funcionassem cada vez mais harmonicamente.

Em 1931, a CPFL transferiu seus escritórios de São Paulo para Campinas, sendo convidado para a Presidência o professor Eugenio Gudin, que sempre agiu como elemento de interligação entre as empresas americanas e brasileiras.

Com a crise de 1929, a CPFL no início dos anos 30 freou suas aquisições e não expandiu sua área de atuação pelo interior paulista, embora o interesse expansionista fosse enorme. Antes, foram adquiridas as empresas: Companhia Campineira de Tração, Luz e Força (julho/29), Companhia Central de Eletricidade de Icém (janeiro/28), Companhia Força e Luz de Brotas (1929), Companhia Douradense de Eletricidade (1928), Companhia Força e Luz de Avanhandava e várias outras. Houve apenas uma exceção que realçou o sentimento nacionalista face ao avanço do poderio norte-americano, representado pela aquisição de inúmeras empresas que atuavam no interior paulista.

Quando a AMFORP assumiu o controle acionário da CPFL, a população da cidade de Dois Córregos não se conformou e começou uma forte campanha contra a nova concessionária, porque não admitia pagar ao preço de dólar a energia elétrica produzida em seu próprio município. Criaram em 20 de setembro de 1929 a Companhia Independência de Eletricidade S.A. com sede no próprio município de Dois Córregos e obtiveram êxito. Com um capital inicial de 700 contos de réis, a "Independência" construiu uma usina com capacidade de 360 kW, na margem direita do rio Figueira e chegou a possuir, no final da década de 30, cerca de mil consumidores, contra pouco mais de 100 da CPFL. A Independência manteve sua vida própria até 1964, quando foi doada à Prefeitura Municipal, sendo posteriormente transferida à rede da CPFL, já integrada na ocasião ao patrimônio da Eletrobrás.

Este, no entanto, não foi o único problema enfrentado pelos norte-americanos no interior paulista. De 1930 a 1950, o faturamento das contas de energia elétrica era uma penosa realização, pois as tarifas obedeciam a contratos celebrados com as municipalidades, diferenciando os preços e condições de uma para outra cidade.

Só com a revisão dos contratos das empresas concessionárias, determinada pelo Código de Águas, na década 40, é que o desenvolvimento do setor daria uma guinada. Na segunda metade dos anos 40, todas as empresas adquiridas pela AMFORP no interior paulistas passaram a fazer parte do complexo da CPFL.

Para se ter uma idéia, durante o período de atividades da AMFORP no Brasil - 37 anos -, o salário mínimo subiu 35 vezes enquanto as tarifas foram reajustadas somente seis vezes. O lucro, por sua vez, era de menos de 4% ao ano sobre o investimento.

Apesar disso, a AMFORP fazia o máximo que podia para acompanhar o progresso do Brasil, sob o ritmo do Estado Novo de Getúlio Vargas. Na década de 40, deu início à construção da usina hidrelétrica de Avanhandava, no rio Tietê, cuja inauguração aconteceu em 1946. Logo depois foram iniciados estudos para a construção da usina hidrelétrica Americana e da termelétrica Carioba. Além disso, a AMFORP procurava também conservar e melhorar as outras várias usinas mais antigas e de menor capacidade de geração.

Entretanto a grande ousadia da empresa, na verdade, diz respeito ao início dos estudos para a construção da usina hidrelétrica Marechal Mascarenhas de Moraes, na época, uma das maiores do mundo. Em abril de 1957 foram oficialmente inaugurados os dois primeiros geradores, com a capacidade de 40.000 kW, cada um, aumentando em 65% a capacidade geradora da CPFL.

Nos anos 50, ficou marcante porém, a carência de recursos para o setor elétrico. A redução de investimentos no setor acarretou entre outras coisas um lento crescimento da capacidade instalada e da oferta do produto. O desenvolvimento industrial pós-guerra também contribuiu decisivamente para aumentar a deficiência no setor elétrico que já era evidente, inclusive com racionamentos institucionalizados.

Nessa época e início dos anos 60, tem início no Brasil algumas manifestações nacionalistas, contrárias aos interesses norte-americanos. Um debate nacionalista acabaria explodindo em todo País e as empresas pertencentes ao grupo AMFORP acabariam sendo nacionalizadas.

Os Bondes
Uma fase marcante para a CPFL durante a gestão americana foi a época dos bondes elétricos que circulavam em várias cidades paulistas. Em Campinas, por exemplo, durante um bom tempo foram administrados pela Companhia Campineira de Tração e Força que se tornaria uma subsidiária da Força e Luz.

O primeiro a circular entre os campineiros, conforme moradores da cidade, foi um verdadeiro presente de São João, em uma tarde de junho de 1912, no dia 24. No passeio inaugural aconteceu uma verdadeira luta para a posse dos lugares, com trancos e empurrões e até alguns sopapos.

Mas não foi sempre assim. Logo nas primeiras viagens, os cavalheiros cediam seus lugares às damas. Os passageiros desfilavam em cima dos trilhos com seus chapéus elegantes e as senhoras posavam para fotografias na frente das máquinas.

O serviço de bonde em Campinas deixou de ser responsabilidade da CPFL em primeiro de outubro de 1955.

Fase Estatal
A fase estatal da CPFL durou 32 anos, de 1964 até 1997. Dia 14 de outubro de 1964, através da Lei 4.428, a CPFL voltava a pertencer ao capital nacional. Agora patrimônio da União através da Eletrobrás, marcando um novo ciclo de desenvolvimento.

As transformações na CPFL, entretanto, não pararam por aí. Dia 16 de junho de 1975 foi assinado um termo de acordo entre o governo do Estado de São Paulo e a Eletrobrás, em função da qual a CESP assumia o controle acionário da CPFL.

Neste período de 1975 a 1997 a CPFL reforçou a sua marca de uma das melhores empresas do setor elétrico brasileiro para possibilitar inclusive novos vôos dentro de um novo modelo para este importante segmento da economia. Este novo modelo começou a se desenhar em 1995 com o lançamento do Programa de Reestruturação do Setor Elétrico Paulista, que já previa a privatização da CPFL.

Privatização
O grande marco da mudança deu-se dia 5 de novembro de 1997, com a aquisição do controle acionário pelo valor de R$ 3,014 bilhões. O consórcio VBC (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa), juntamente com a 521 Participações S/A e a Bonaire (empresa formada por fundos de pensão) apostaram no potencial da CPFL e iniciaram uma nova fase na empresa. O martelo do leiloeiro foi batido às 9h03min fechando um dos maiores negócios do programa de privatização até hoje no país.