TEXTO UTILIZADO NO CURSO

Desafios para o Próximo Século

Na XV Conferência Mundial de Energia, realizada em setembro de 1992, na cidade de Madri, ficou clara a sinalização no sentido de que o consumo de energia nos países em desenvolvimento no ano 2015 será maior que o dos países desenvolvidos, devido, basicamente, à intensificação do processo produtivo industrial.

Por outro lado, os recursos disponíveis no Sistema Financeiro Internacional em 2015, para esses mesmos países em desenvolvimento, não chegarão a 10% do total necessário. No caso brasileiro, o planejamento do Setor de Energia Elétrica sinaliza um crescimento médio anual de 5.6% de 1990 a 2000, 4,6% de 2001 a 2010 e 3,6% de 2011 a 2015, sem levar em consideração os efeitos do Plano Real.

No Brasil, a capacidade de poupança interna para gerar os recursos necessários é insuficiente, dada a necessidade de mais de U$ 8 bilhões ao ano para investimentos no período de 1993 até 2015. Outro fator importante é o custo marginal de expansão do sistema elétrico brasileiro crescente, estando previsto para o período até o ano 2000 um custo de geração de U$41.00/MWh passando para U$58.00 no período de 2000 a 2010.

Esse crescimento de custo de expansão é justificado pela necessidade de construção de usinas hidroelétricas na região Amazônica, significando a construção de linhas de transmissão, a longas distâncias, em alta tensão, até os centros de maior consumo, além de imposições rigorosas de questões ambientais, no sentido de restaurar o máximo possível os impactos ambientais causados. (Premissas estabelecidas no Planejamento para 2015 - com a privatização do setor elétrico, provavelmente as usinas térmicas, de construção mais rápidas, terão a preferência do novos donos).

Enfim, há crescentes dificuldades financeiras e técnicas para o aumento de geração enquanto que, por outro lado, há necessidade de maior disponibilidade de energia para a sociedade fomentar seu desenvolvimento global. 

Desperdício

Estudos sobre as mais diversas modalidades de desperdício revelam que, anualmente, o Brasil “joga pelo ladrão” U$50 bilhões. Só em energia elétrica, quase U$5 bilhões se perdem em luzes desnecessariamente acesas, longos banhos, máquinas desreguladas e mau dimensionadas e, equipamentos e processos de fabricação obsoletos (não eficientes).

A indústria, dentro da expectativas otimistas, está desperdiçando 25% de energia que consome, devido às falhas na manutenção e na utilização inadequada de equipamentos e processos de fabricação.

Por outro lado, no entanto, o País sofre a ameaça de racionamento de energia elétrica, desde 1996, tendo, a situação, sido agravada com a estabilização da economia após o Plano Real, onde muitos que não tinham acesso a determinados eletrodomésticos passaram a tê-lo.

No nosso mercado chegam, todos os dias, produtos importados com preços mais baixos que os similares nacionais, porque, entre outros aspectos, os fabricantes não têm que pagar pelo custo do desperdício.”

Como superar tais contradições?

Fonte: O Ser Humano - Informação Profissional - Bilhões escoam pelo ladrão Paulo Camargo e Qualidade em destaque nº 21 - fevereiro de 1994.