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Em
fevereiro de 96, a rádio Paris Première entrevistou o linguista
e erudito italiano Umberto Eco, autor de O Nome da Rosa,
A Ilha do Meio do Mundo e Em Busca da Língua Perfeita,
entre outros.
"...Estudei um pouco de todas essas utopias
a respeito da criação de uma língua perfeita ou da
original, a chamada língua de Adão, até aquelas a
que chamam de universais, como é o esperanto, o volapük e outras,
que não pretendem ser perfeitas, e sim línguas auxiliares.
Nessas ocasiões cheguei a estudar a gramática do esperanto
para saber do que se trata. E cheguei a duas conclusões: ele é
uma língua muito, muito bem elaborada. Do ponto de vista lingüístico,
ele realmente segue critérios de economia (lingüística)
e de eficiência admiráveis. Segundo, todos os movimentos em
favor de línguas internacionais fracassaram, porém não
o do esperanto, que permance unindo grupos de pessoas em todas as partes
do mundo, porque por trás do esperanto existe um idéia, um
ideal; pretendo que Zamenhof não apenas construiu um objeto lingüístico,
mas por trás disso havia uma idéia (...) idéia de
fraternidade, idéia pacifista - foram até perseguidos pelo
nazismo e pelo stalinismo - que ainda mantém a comunidade dos esperantistas.
Não se pode dizer que ele fracassou. Mas é preciso dizer
uma coisa: o motivo pelo qual uma língua triunfa é sempre
indefinível".
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