MANIFESTO DE PRAGA (*)
Em julho de 1996 foi apresentado esse manifesto
durante o 81o. Congresso Mundial de Esperanto, em Praga, Rep. Tcheca, com
a participação de 2972 pessoas, de 66 países.
O documento continua a circular e a ser assinado no mundo inteiro.
Nós, membros do movimento mundial pelo progresso do esperanto,
dirigimos este manifesto
a todos os governos, organizações internacionais e pessoas
de boa vontade;
declaramos nossa intenção de trabalhar com mais empenho
para realizar os objetivos aqui expressos e
convidamos cada organização e cada pessoa em particular
a juntar-se ao nosso esforço.
Lançado em 1887, como projeto de língua auxiliar para a comunicação internacional e rapidamente evoluindo para uma língua viva e rica em nuances, o esperanto, já há mais de um século, se presta para unir as pessoas além das barreiras lingüísticas e culturais. Ao longo do tempo, os objetivos de seus falantes não perderam a gravidade nem a atualidade. Nem o uso mundial de algumas línguas nacionais, nem o progresso nas técnicas de comunicação, nem a descoberta de novos métodos de ensino de línguas, ao que parece, cumprirão os seguintes princípios, que consideramos essenciais para uma ordem lingüística justa e eficiente.
1) Afirmamos que a desigualdade lingüística acarreta desigualdade de comunicação em todos os níveis, inclusive internacional. Somos um movimento pela comunicação democrática.
2) Afirmamos que a educação através de qualquer língua étnica está ligada a uma perspectiva definida sobre o mundo . Somos um movimento a favor de uma educação transnacional.
3) Afirmamos que a dificuldade das línguas étnicas sempre constituirá um obstáculo para muitos estudantes, que, no entanto, usufruiriam do conhecimento de uma segunda língua. Somos um movimento a favor de um ensino de línguas eficiente.
4) Afirmamos que os povos de todas as línguas, menores e maiores, deveriam dispor de uma oportunidade real para apropriar-se de uma segunda língua até o mais alto grau de comunicação. Somos um movimento para a efetivação desta oportunidade.
5) Afirmamos que as enormes diferenças entre as línguas aniquila as garantias, expressas em tantos documentos internacionais, de direito de igualdade sem distinção de língua. Somos um movimento a favor dos direitos lingüísticos.
6) Afirmamos que se as políticas de comunicação e de evolução não forem baseadas no respeito e apoio a todas as línguas, condenarão à extinção a maioria dos idiomas do mundo. Somos um movimento em favor da diversidade lingüística.
7) Afirmamos que o uso exclusivo de línguas nacionais cria barreiras à liberdade de expressão, de comunicação e de associação. Somos um movimento a favor da emancipação humana.
* Traduzido pela jornalista Hilarina Aires
(João Pessoa, PB) e
disponibilizado pelo Kultura Centro de Esperanto, C. P. 1097 - Campinas,
SP 13001-970