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Artur Azevedo

Artur Azevedo (1855-1908)

Jornalista, poeta, contista e teatrólogo
Membro-fundador da
Academia Brasileira de Letras

Ĵurnalisto, poeto, verkisto de rakontoj kaj teatraĵoj
Kunfondinto de la Brazila Beletra Akademio

 
 

O escritor Artur Azevedo mantinha uma coluna, Palestra, no diário O Paiz, do Rio de Janeiro. Na terça-feira de 12 de abril de 1898 ele comentou muito favoravelmente sobre o Esperanto, um idioma "creado ha 10 annos". Esse foi um dos primeiros artigos de um intelectual brasileiro sobre o assunto.

O KCE reproduz aqui, em primeira mão na Internet, o conteúdo daquela coluna (na ortografia original). Nossos agradecimentos ao Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp.

 

 

logotipo d'O Paiz

 

 

La verkisto Artur Azevedo longe havis konstantan rubrikon, Palestra [prelego], en la ĵurnalo O Paiz [la lando] de Rio de Janeiro. En mardo, la 12-an de Aprilo 1898, li tre favore priskribis Esperanton, lingvo "kreita antaŭ 10 jaroj". Tio estis unu el la pioniraj artikoloj de brazila intelektulo pri la temo.

KCE reproduktas, unuafoje en la reto, la enhavon de tiu noto, en la tiama ortografio. Niajn dankojn al la Arkivejo Edgard Leuenroth de la Universitato de Campinas.

O PAIZ - Terça-Feira, 12 de Abril de 1898.

PALESTRA

Em 1887 o Dr. Zamenhof - por esse of já todos sabem que se trata de um russo - creou, escrevendo sob o pseudonymo de Esperanto, um idioma internacional muito mais aceitavel, muito menos complicado que o celebre volapuk, em que debalde pretendi metter o dente.

O novo idioma, conhecido, em razão daquelle pseudonymo, pela designação de esperanto, é, ha 10 annos, objecto de enorme propaganda, e conta já numerosos adeptos em toda a parte do mundo.

Em janeiro deste anno fundou-se em Paris a Societé pour la propagation de l'espéranto, e foi publicado o 1o. numero de L'espérantiste, do qual me foi enviado um exemplar pelo Sr. Jacome Martins Baggi de Araujo, que reside em Petropolis e é, pelos modos, o propagador brazileiro do novo idioma.

A rapida leitura do periodico e de uma curiosa brochura que o acompanhou, na qual se acham alguns extractos do diccionario e da grammatica do esperanto, deu-me sem que eu as procurasse, algumas noções que, se me sobrasse o tempo, fariam de mim um esperantista fervente.

O caso é que o esperanto foi gabado por Max Müller, que é, dizem, o maior linguista da nossa época, e recebeu elogios de Tolstoi, Henry Phillips e outras notabilidades universaes.

Tolstoi escreveu o seguinte: "O esperanto é tão facil de aprender que eu, tendo recebido uma grammatica, um diccionario e alguns artigos desse idioma, consegui, ao fim de duas horas, se não escrever ao menos ler correntemente a língua". É verdade que nem todos têm a intelligencia de Tolstoi...

Não quero espraiar-me em considerações, que naturalmente se acham no animo de todos os meus leitores, sobre a conveniencia de uma lingua internacional; limito-me apenas a recommendar o esperanto, que sairá, espero, victorioso da propaganda em que se acha empenhado.

Termino este ligeiro artigo transcrevendo o Padre nosso traduzido para o nosso idioma:

"Patro nia, kiu estas en la cielo, sankta estu via nomo; venu regeco via; estu volo via, kiel en la cielo, tiel ankau sur la tero. Panon nian ciutagan donu al ni hodiau; kaj pardonu al ni suldojn niajn, kiel ni ankau pardonas al suldantoj, kaj ne konduku nin en tenton sed liberigu nin de la malbono. Amen."

A' primeira vista parece o provençal ou o catalão - mas creiam que não é nenhum bicho de sete cabeças.

A.A.

 

Artikolo originale publikigita en O Paiz, 12-a de Aprilo, 1898



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