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Comunicados de Imprensa da UEA
 

UEA-Associação Universal de Esperanto
Nieuwe Binnenweg 176 - NL-3015 BJ
Rotterdam - Países Baixos
http://www.uea.org

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COMUNICADOS DE IMPRENSA DA UEA                       N-ro 110  (22/12/2000)

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Mensagem de Ano Novo do Presidente da UEA
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COM UMA ARMA DE PAZ EM UM NOVO MILÊNIO

A UEA tornou-se tão ampla no mundo, que a tradicional mensagem de Ano Novo
deveria ser enviada várias vezes ao longo do ano. Muitos dos nossos membros
festejam o novo ano agora, mas existem muitos que o festejarão depois de alguns
dias; outros que o comemorarão em março ou setembro; outros que celebram agora
não um novo ano, mas o fim do Ramadã. Em todo caso, por respeito à tradição,
fiquemos por ora no calendário cristão.

Uma mensagem de Ano Novo é o momento para se avaliar, de uma distância crítica,
a evolução no ano que passou e expressar os desejos de evolução para o próximo
ano.

O movimento pelo Esperanto no ano 2000 continuou em seu crescimento habitual.
Não se deve deixar enganar pelo número de membros desta ou de outras
organizações. Em eficiência, o Esperanto cresce neste momento, até de forma
tumultuada, em regiões que não pertencem ao seleto círculo dos oito países
mais industrializados do mundo. Fora desses oito países, os esperantistas mal
podem pagar anuidades ou adquirir livros editados nas bases tradicionalmente
fortes do movimento. Um desafio se ergue diante da UEA e das demais
organizações: nós conseguiremos encontrar formas de trazer essas pessoas para
a comunidade do Esperanto? Nosso hino não afirma que "as asas do vento suave
devem levar o novo sentimento" só de um local rico para outro.

Se você vive em um país onde pagar a anuidade de membro individual não é um
problema, por favor queira fazê-lo. Com isso você ajudará todas as ações da UEA
(desde a divulgação do Esperanto entre jovens ou na Internet até ajuda ao
movimento na África ou Nepal). É assim que será gasto o dinheiro de sua
inscrição. Além disso, você entrará para o círculo dos esperantistas mais bem
informados pela revista de Esperanto mais lida, e poderá estar entre os
participantes mais beneficiados nos Congressos Universais, com descontos na
Livraria da UEA etc.

Termina agora a "Campanha 2000", que foi seguida com zelo por esperantistas em
muitos países. Ela trouxe alguns sucessos, enquanto em algumas áreas não se
observou progresso. A UEA, como representante dos esperantistas de todo o
mundo, recuperou sua posição nas organizações como as Nações Unidas, Unesco e
outras. Exatamente agora, na segunda metade do ano 2000, foram atingidos novos
resultados. Os esperantistas foram convidados a dar palestras na Unesco, para o
mundo das organizações não-governamentais. Ninguém sorriu, ninguém zombou;
muitas organizações até pediram para se relacionar conosco. Da mesma forma
acontece nas Nações Unidas, onde, graças ao Escritório da UEA em Nova Iorque,
reaparelhado, começam a ser recebidos apoios à resolução da Conferência de ONGs
em Seul (1999) que exige que a ONU finalmente enfrente o problema dos direitos
lingüísticos do homem e a possivel solução com uma língua neutra.

Em todos os continentes os esperantistas começam a fazer funcionar, cada vez
com mais sucesso, suas associações e comissões continentais ou de grupos de
países. Não posso deixar de mencionar os congressos panamericano e asiático de
Esperanto como brilhantes exemplos do que tem sido feito. Não posso deixar de
mencionar a revitalização da União Européia de Esperanto, que por sua vez
talvez venha a revigorar alguns países europeus que se encontram à margem da
atuação no movimento esperantista. Estou certo que os esperantistas europeus
não deixarão de explorar ao máximo as possibilidades que se apresentam no Ano
Europeu das Línguas, em 2001, para mostrar ao mundo quem realmente quer
apoiar o plurilingüismo e assegurar que as línguas nacionais continuem a
existir.

Ao lado dos meios tradicionais, expande-se cada vez mais para o Esperanto algo
novo: a Internet. É mesmo admirável constatar quão rápido os esperantistas
conseguiram adaptar-se a este meio moderno de comunicação e utilizá-lo para o
Esperanto. Este campo certamente nos apresentará muitas possibilidades (não se
pode deixar de dizer que muitos novos esperantistas, em países do Velho Mundo,
formaram-se por cursos na rede). A UEA e as demais organizações deveriam, na
minha opinião, mergulhar com um pouco mais de coragem neste oceano, onde
se encontra uma porção de pessoas jovens e interessantes. É exatamente de
pessoas assim que precisamos.

Por falar em jovens, vale mencionar a dedicação de nossa seção juvenil, a TEJO,
que começa a produzir novas idéias e novas ações de sucesso. Faço um apelo a
todos os leitores desta mensagem, jovens e maduros, que tentem sempre superar
os limites de idade e de organização e façam avançar a colaboração. Cada
mensagem de ano novo nos leva mais próximo do momento em que os
responsáveis da TEJO deverão receber de nós a tocha (e escrever essas
mensagens de Ano Novo!) Da mesma forma peço a colaboração de todos para
a ILEI, nosso braço de ensino. O ensino tem um lugar de destaque no novo
plano de trabalho da UEA que ora se discute.

Não posso encerrar esta mensagem sem duas últimas considerações.

Nossas associações especializadas devem se fortalecer, para aplicar o Esperanto
na prática. Apenas quando o Esperanto for uma língua em que se puder comprar
um caminhão na Europa e enviá-lo à África, só então o Esperanto começará a ser
uma língua internacional normal.

Falei de caminhões e comércio, mas não é diferente para os bens culturais e
espirituais. Como sempre aconteceu no passado, existem forças no mundo que
exigem desistir da democracia em favor da eficácia econômica. Não é de se
admirar que essas idéias sejam sustentadas principalmente por aqueles que
são (ou esperam ser) economicamente fortes.

Pertencemos, na minha opinião, ao outro lado, aos que exigem que o homem esteja
no centro das atenções, que pensam que a evolução econômica faz sentido apenas
se ela torna o homem mais feliz, não se ela mata o homem com doenças ou
destruindo o seu mundo. Exigimos que também no campo cultural e lingüístico
haja democracia, que ninguém seja humilhado ou submisso. Digamos isso alto
e claro em todos os fóruns em que tenhamos a oportunidade de falar no próximo
ano.  Dentro do movimento esperantista, todos por favor participem das
discussões do plano de trabalho, cuja divisa é "Para uma democracia
lingüística!".

Saudações para você e para o Esperanto em 2001,
 

Kep Enderby
presidente da UEA
 

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* Kep Enderby é australiano, juiz e ex-"Attorney General" (Ministro da
Justiça) da Austrália.
 

                              *   *   *   *   *   *
 
 

* Estes comunicados são escritos originalmente em Esperanto, pelo escritório-sede da Associação Universal de Esperanto (Rotterdam, Holanda)  e são traduzidos em português no Kultura Centro de Esperanto para distribuição no Brasil.
 
 

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