Porco na Cabeça!
Fernando J. Galvão Marinho
Petrópolis, RJ
Um motorista apressado descia determinada serra cheia de curvas. Surge na contramão outro carro em alta velocidade. Enquanto evita o choque, o motorista grita para o que vinha descendo: "-Porco !"
Resposta fulminante: "- Idiota!"
Logo depois da curva, o apressado motorista reconhece o erro de interpretação: cruzando a estrada, um enorme porco colocava em risco os que por ali trafegavam.
Esta é uma conhecida metáfora, usada para ilustrar como estamos sujeitos à influências de inúmeros paradigmas. Por falta de espaço e de competência, não vou me enveredar pelas teorias de Thomas Kuhn e de Fritjof Capra, sobre o tema "paradigmas". Fiquemos em esclarecimento rasteiro O que levou o apressado motorista a ofender o colega foi a instantânea e involuntária evocação de fatos anteriores que já estavam catalogados para produzirem aquele modelo de reação.
Quando escolhi o título deste artigo, estava querendo criar um outro exemplo de paradigma. O leitor deve ter julgado que o texto trataria de algo relacionado ao "jogo-do-bicho", porque a expressão "porco-na-cabeça" já está associada, há muito tempo, ao citado jogo. Exemplo de paradigma científico: "o câncer não tem cura". Afirmações deste tipo - principalmente se emitidas por cientistas - criam enormes obstáculos para o êxito do tratamento.
O saudoso Prof. Walter Francini, autor de ESPERANTO SEM PRECONCEITOS, editado pela Associação Paulista de Esperanto (R. Faustolo 124, CEP 05041-000, São Paulo-SP), nos informa que até a idade de trinta e três anos não aceitava o esperanto porque, na universidade que freqüentava, um competente professor dizia que artificialismos não vingam no campo lingüistico. Nessa interessante obra, ele não só esclarece o que é o esperanto, quais são o seu objetivo e realizações, mas ainda nos mostra que nenhum dos preconceitos contra a língua internacional tem base.
Ao ouvir falar sobre o esperanto, por favor, reduza a velocidade; não se deixe influenciar por paradigmas pseudo-científicos; não se aborreça com a nossa insistência; preste atenção ao interlocutor , pois, provavelmente, ele estará querendo ajudá-lo a encontrar itinerários menos tortuosos, a viajar por caminhos que contenham menos obstáculos, a apreciar melhor as paisagens que as estradas da vida nos oferecem.
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